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segunda-feira, 26 de maio de 2014

MST 30 anos – da terra à comida


As três décadas de existência do MST são um excelente indicador da democracia brasileira. Movimentos camponeses não sobrevivem aos regimes ditatoriais. A existência do campesinato só é possível nas sociedades democráticas porque este sujeito político está constantemente reivindicando o direito de ser ele mesmo, enquanto o sistema político quer transformá-lo em trabalhador assalariado. Ao não aceitar este destino definido pelo capitalismo, os camponeses são considerados subversivos.

O nascimento do MST aconteceu exatamente por essa razão. Camponeses expropriados pelo processo de modernização da agricultura capitalista nas décadas de 1960 e 1970 organizaram-se para formar um movimento e reivindicar o direito à terra, ao trabalho familiar para produzir alimentos e viver uma vida digna com educação, saúde, moradia, ou seja todos os direitos básicos.

As Ligas Camponesas foram extintas no começo da ditadura militar de 1964 porque reivindicava esses direitos. O MST começou a se formar na última etapa do regime militar, a partir de 1978/1979 e nasce no alvorecer da redemocratização, em janeiro de 1984. Com dez anos de idade, o MST já era um movimento nacional. Com menos de 20 anos tornou-se internacional compondo a Via Campesina. Com 30 anos, ele vê o tamanho de seu desafio: continuar existindo como movimento camponês em uma sociedade capitalista globalizada.

Os desafios do MST mudaram nestas três décadas. Na sua infância, um de seus maiores desafios era enfrentar o latifúndio. Este desafio permanece e surgiram outros. A formação do sistema agrícola-industrial-mercantil-financeiro-tecnológico, denominado de agronegócio, passou a disputar os latifúndios com os movimentos camponeses. A expansão das commodities, principalmente das “energéticas”, necessita de muita terra. o capital nacional e o internacional se unificam para controlar territórios e monopolizar o processo produtivo. Formam lobbies, determinam o modelo de desenvolvimento agropecuário, controlam recursos naturais, econômicos e políticos.

Em seu amadurecimento, o MST foi construindo seu próprio caminho. Ele não optou em participar do modelo hegemônico do agronegócio, do uso intensivo de agrotóxicos, da produção de transgênicos e da monocultura, embora algumas poucas famílias vinculadas ao MST estejam inseridas neste sistema. Esta inserção tem demonstrado que a relação campesinato-agronegócio sempre é uma relação desigual, de subordinação na melhor das hipóteses e de destruição do campesinato na pior. Um exemplo deste processo de expropriação é o assentamento Primavera no município de Andradina (SP), onde a cana já controla 70% do território do assentamento.

O MST tem ajudado a construir o caminho da agroecologia e da comida saudável. A identidade territorial camponesa é formada pela diversidade agropecuária, pelo trabalho familiar, produção em pequena escala e aplicação de tecnologias apropriadas ao seu modelo de desenvolvimento. Pouquíssimos engenheiros agrônomos sabe como trabalhar com esta realidade. Por essa razão o desafio do MST e das instituições que apoiam a agricultura saudável, das pessoas que preferem uma comida boa, não industrializada, é expandir a agroecologia na luta pela terra e contra o agronegócio. A luta pela terra tornou-se a luta pela comida. Elas tornara-se indissociáveis. Temos que pensar nisso quando formos comprar nossos próximos alimentos.

Bernardo Mançano Fernandes é professor livre-docente da Universidade Estadual de São Paulo (UNESP). Fonte: http://www.cartacapital.com.br/sociedade/mst-30-anos-2013-da-terra-a-comida-6298.html

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

#NOTÍCIA - Maduro ameaça expropriar empresas contrárias à 'lei de preços justos'


Lei estabelece margem de lucro máxima de 30%, medida que os empresários consideram inconstitucional


Caracas (AFP) - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou na terça-feira 4 que expropriará as empresas que não cumpram a Lei de Preços Justos, que estabelece margem de lucro máxima de 30%, medida que os empresários consideram inconstitucional.

"Não me subestimem, setores da burguesia. Se tiver que expropriar (empresas), vamos expropriar", disse Maduro no Quartel da Montanha, em evento para recordar os 22 anos do golpe militar de 4 de fevereiro liderado pelo falecido ex-presidente Hugo Chávez (1999-2013).

"Se na próxima segunda-feira encontrarmos unidades econômicas ou empresas violando a Lei de Preços Justos, vou tomar as medidas mais radicais que tiver que tomar", completou.

Os empresários venezuelanos anunciaram na terça-feira que apresentarão um recurso de nulidade ao Tribunal Supremo de Justiça contra a lei - promulgada por Maduro em 24 de janeiro para combater o que ele chama de "guerra econômica" -, que consideram "inconstitucional".

Na Venezuela, a inflação alcançou 56,2% em 2013, a maior da América Latina. A escassez de produtos chegou a 22,2% em dezembro e o crescimento do PIB foi de 3%, contra 6% previsto inicialmente.
 
O presidente da Federação de Câmaras e Associações de Comércio (Fedecamaras), Jorge Roig, citou o caráter "inconstitucional" da medida por declarar como "matéria de utilidade pública" toda a cadeia nacional, quando a Constituição estipula que "o setor privado conjuntamente com o governamental deve propor um modelo econômico".

Roig considera que a lei "confisca" a liberdade econômica, restringe a oferta e afasta os investimentos. "Todas as empresas, ao serem de utilidade pública sem importar seu tamanho, ficam prontas para expropriações, para serem confiscadas pelo Estado sem o pagamento oportuno", disse.

A norma estabelece margem de lucro máxima de 30% e duras penas administrativas e penais, que vão de dois a 12 anos de prisão, para especulação, monopólio e contrabando de bens.

Leia mais em AFP Móvel

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

#NOTÍCIA - Por uma cartografia em movimento



Em dimensões distintas, os trabalhos da artista Marie Ange Bordas e da arquiteta Ana Paula do Val visam à quebra de normativas propostas em mapas oficiais

 
A artista gaúcha Marie Ange Bordas define a si mesma como uma nômade privilegiada. Filha de pai francês e mãe brasileira, ela passou a maior parte da vida trocando de endereço dentro e fora do Brasil. Estar em constante movimento tornou-se uma necessidade e serviu de motivação para imergir na dinâmica das pessoas que estão em trânsito ao redor do planeta não por uma questão de escolha, mas por terem sido forçadas a fazê-lo, seja em razão de conflitos, seja por consequências da máquina econômica.
A convivência com refugiados em vários países deu origem ao projeto artístico Deslocamentos, iniciado há dez anos. Em dezembro, Bordas finalizou esse projeto fazendo a curadoria do caderno Sesc_Videobrasil Geografias em Movimento. O livro reúne fragmentos artísticos de seu longo percurso e dialoga com artistas e teóricos que, em certa medida, estavam conectados com a temática da territorialização em movimento e da expressão dos espaços geográficos a partir de representações além da objetividade endurecida das linhas e contornos dos atlas oficiais. Uma cartografia em movimento, mais humana e afetiva.
"A cartografia é um desenho em movimento. A ideia que temos de mapas é uma ideia eurocêntrica, etnocêntrica. Gosto muito de uma coisa que o Rogério Haesbaert fala sobre a territorialização no movimento, as territorializações simbólicas, subjetivas. Tem muito mais a ver com o indivíduo contemporâneo do que essa ideia de raiz ligada ao lugar, ao Estado-nação, que é uma criação, uma imposição", afirmou, em referência ao geógrafo autor de O mito da desterritorialização: dos fim dos territórios à multiterritorialidade, que também assina um texto do caderno.
Em 2001, partindo de Nova York em direção a Johannesburgo, na África do Sul, Bordas entrou em contato com organizações que davam suporte a refugiados. A partir desses encontros, organizou oficinas de vídeo, foto, áudio e performances. As propostas artísticas de interação foram se modificando conforme ela também se dirigia a novos locais: de Johannesburgo para o albergue de refugiados em Massy, no subúrbio de Paris, depois o campo de refugiados de Kakuma, no Quênia, seguindo ao enclave tâmil na costa leste do Sri Lanka e ao East End de Londres.
"Como artista, posso ser mais efetiva no uso do processo criativo para criar um ambiente de segurança nesses espaços de conflitos, onde essas pessoas possam se sentir protegidas para pensar em sua situação fora do discurso humanitário e passar a interagir em um discurso político", afirma. "A minha ideia era quebrar com esses jogos de representação, criar espaços menos controlados. Meu trabalho teve muito essa questão de transformar o discurso depreciativo de sua realidade, tentar desconstruir o discurso que vitimiza e levar em conta o agenciamento de cada um", disse Bordas.
"Quando cheguei ao campo (de refugiados) do Quênia, na minha primeira caminhada, a primeira pessoa que eu encontrei foi um banqueiro milionário da Eritreia. A vizinha dele era uma mulher de um vilarejo agrícola do Sudão do Sul. O universo de classes, de culturas nesses locais é muito grande. Tratar a questão do refugiado como uma coisa só, homogênea, é muito complicado."
Cartografias afetivas Quebrar as normativas e os estereótipos que geralmente acompanham o tema do refúgio sempre foi um norte para Bordas. Durante sua temporada em Paris, onde conviveu com refugiados de 80 nacionalidades diferentes, ela notou a formação de redes que superavam as fronteiras formais entre os países. Por esta rede, mantida pelos refugiados com parentes e amigos locados em diversas partes do mundo, circulavam dinheiro, documentos e bens, mas também afeto, memórias e trivialidades. "À medida que me entranhava nessas redes, tecia meu próprio atlas, acumulando lugares, afetos e possibilidades neste meu corpo-território", escreveu a artista.
É essa premissa que aproxima seu trabalho ao de Ana Paula do Val. A arquiteta e artista plástica, que também assina um artigo no caderno organizado por Bordas, realizou um trabalho em 2011 com um grupo de bordadeiras no parque Santo Antônio, no extremo sul da cidade de São Paulo.
O objetivo era bordar um atlas afetivo que transbordasse as noções formais de mapeamento e trouxesse consigo sinestesias e subjetividades, por meio de uma desconstrução dos imaginários que acompanham esta região específica da cidade, sempre lembrada como entre as piores em índices de desenvolvimento, educação e violência.
Reprodução do caderno Geografias em Movimento
"Todos os mapas que a gente tem, desde 1500, foram feitos para a dominação e para o controle. E não deixa de ser diferente hoje", disse Val. "Logo que eu comecei a fazer esse mapeamento com as bordadeiras, comprei um mapa desses que vendem para turistas. E o mapa, curiosamente, terminava em Cidade Dutra. O que existe para baixo não estava no mapa. Isso vende na banca de jornal. E é uma cartografia que simplesmente apaga a periferia sul. Isso é poder simbólico. Apagou da história, não existe."
Após semanas de imersão territorial em que as seis bordadeiras foram convidadas a perceber o espaço pelo qual circulavam usando não só a visão, mas a audição, o paladar e o olfato, foi construído um repertório reflexivo da leitura desse território. "Essas mulheres moram no Jardim São Luís e não conheciam o restante da zona sul", explicou Val.
Desenho do mapa feito coletivamente por grupo de bordadeiras, em trabalho organizado por Ana Paula do Val
No mapa produzido a partir do projeto, letras de músicas dos Racionais MC’s se misturam a desenhos de marés de casas, árvores e crianças empinando pipas. "As questões mais afetivas, subjetivas, não vão fazer parte de mapas oficiais. São cartografias que a gente constrói à rebote do Estado. São outras possibilidades de olhar o mundo. Se você olha, parece um desenho, mas não é só isso", disse. "Estamos falando de uma questão de identidade."

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

#NOTÍCIA - Represas do Sudeste seguem em queda e carga de energia bate recorde

Reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste iniciaram a semana com 39,58% de armazenamento


Os reservatórios de hidrelétricas no Sudeste, os mais importantes para o abastecimento de energia do País, já apresentam queda no início de fevereiro em relação a janeiro, enquanto a demanda de energia na região e no sistema elétrico como um todo continua a bater recordes consecutivos.

Os reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste iniciaram a semana com 39,58% de armazenamento, uma queda de cerca de 1 ponto percentual em relação ao registrado na última quinta-feira (30 de janeiro).
 
O Operador Nacional do Sistema Elétrica (ONS) esperava que até o final desta semana, 7 de fevereiro, os reservatórios do Sudeste chegassem em 40,5%. Para o fim do mês, em 28 de fevereiro, o valor esperado é de 41,5%, conforme Programa Mensal de Operação.
 
A depreciação dos reservatórios é incomum para este período do ano, época em que as reservas precisam ser abastecidas para sustentar o abastecimento de energia durante o período seco. Em janeiro, houve uma depreciação de cerca de 3 pontos percentuais dos reservatórios dessa região ante dezembro.
 
Ao mesmo tempo, na segunda-feira a região Sudeste/Centro-Oeste bateu novamente o recorde de demanda máxima instantânea de energia às 15h33, atingindo 50.854 megawatts (MW). No sistema nacional como um todo, o recorde de demanda instantânea ocorreu às 15h32, a 84.331 MW. O recorde anterior da região Sudeste tinha ocorrido na quinta-feira (30/01) e no sistema nacional na quarta-feira (29/01)
 
Funcionário da Sabesp anda pela barragem de Jaguary, seca devido ao longo período
de estiagem que atinge o Estado de São Paulo, em Bragança Paulista  
Foto: Nacho Doce / Reuters

 
"A causa se deve à continuidade das altas temperaturas e ao índice de desconforto térmico nessa região do país, na hora de maior insolação", informou o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) no Boletim de Carga Especial divulgado nesta terça-feira.
O nível dos reservatórios no Sul do país também caiu em relação ao registrado na semana passada, de 58,58% para 55%. A expectativa do ONS é que essas reservas fechem a semana em 57,4% e o mês em 50,9%, segundo o ONS.
 
Já no Nordeste houve elevação de 42,53% para 42,82%, assim como no Norte, onde as reservas passaram de 59,99% para 64,10%.
 
O nível esperado para as represas do Nordeste ao fim da semana é de 43,3%, e de 44,8% para o fim do mês. Para o Norte, a perspectiva é de nível de armazenamento de 65,9% no fim da semana e 82,1% ao fim do mês.
 

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